A minha casa é o mundo

 


Eu tenho um dono. O nome dele é Tobias, um gato falante. Ele me dá ração, faz carinho na minha cabeça e, depois, me prende no quarto para ir viver a própria vida.

Como sou curioso, sempre peço que ele me conte o que acontece lá fora, para que a minha existência cinzenta fique um pouco mais colorida.

Em um domingo de sol escaldante, Tobias veio correndo até a minha prisão para contar que um parque de diversões havia chegado ao bairro. Fiquei radiante e pedi:

— Deixa eu ver?

Mas ele respondeu:

— Não!

Eu chorei. Minhas lágrimas caíram sobre a terra e fizeram o tempo mudar de repente. O céu escureceu e a chuva começou a cair. Então, em meio às nuvens, abriu-se um clarão. De dentro dele surgiu um gênio que, tocando uma flauta encantada, disse para que eu fizesse um pedido.

Eu pedi um mundo em paz. Pedi que ninguém fosse dono de ninguém e que, no coração de todos os seres, nascesse a alegria simples de um parque de diversões com cheiro de pipoca em um fim de tarde.

Então, meu dono me libertou.

E eu voltei para casa feliz, para o lugar de onde jamais deveria ter saído.

A minha casa é o mundo.


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