Ideologia de gênero não existe
O mês de junho é considerado
o mês da diversidade, pois está diretamente ligado às conquistas históricas do
movimento LGBTQIAPN+, ao fortalecimento de suas existências e ao orgulho de ser
quem se é.
Diante de cenários conservadores em São José do Rio Preto/SP
e na sociedade como um todo, é necessário afirmar algo óbvio: ideologia de
gênero não existe. Ideologia é um conjunto de ideias e crenças que uma pessoa
ou grupo utiliza para explicar o mundo e defender determinada forma de pensar.
Geralmente envolve uma proposta sobre como a sociedade deveria ser organizada.
Existem, por exemplo, ideologias políticas, que apresentam ideias sobre como um
país deveria funcionar.
O conceito de gênero, por outro lado, pertence ao campo
das ciências humanas e sociais e busca compreender como as sociedades constroem
expectativas, papéis e significados relacionados ao masculino, ao feminino e às
diferentes formas de vivenciar identidades.
Gênero
não é uma ideologia, porque ninguém cria em outra pessoa um sentimento, uma
identidade ou uma forma de existir apenas pela transmissão de uma ideia. Uma
pessoa não passa a ser quem é porque alguém falou sobre isso. Nenhuma pessoa
heterossexual se torna homossexual, nenhuma pessoa cisgênero se torna
transgênero, nenhum príncipe vira sapo e ninguém muda sua identidade ou
orientação sexual por aprender sobre diversidade. A forma como cada pessoa se
percebe envolve sua experiência individual, seus afetos, desejos e sua maneira
de existir no mundo.
Quando falamos sobre a chamada “ideologia de gênero”, ela
frequentemente aparece associada a discursos de “defesa da família”, “proteção
das crianças” ou “preservação de valores”. Esses temas possuem significado para
muitas pessoas, porém é importante observar como, em determinados contextos,
podem ser utilizados para produzir medo, desinformação e rejeição diante da
diversidade humana.
Proteger crianças não significa esconder delas a
existência de diferentes formas de viver, amar e construir relações baseadas no
respeito. Ensinar sobre diversidade não significa impor uma identidade, mas
promover conhecimento, convivência e empatia.
Falar
sobre diversidade é também falar sobre direitos humanos, dignidade e respeito à
existência de cada pessoa. Uma sociedade comprometida com a proteção das
crianças e das famílias é aquela que ensina o diálogo, combate a violência e
reconhece que as diferenças fazem parte da experiência humana. A diversidade
não ameaça a família; ela amplia a possibilidade de construirmos relações mais
conscientes, acolhedoras e livres de preconceitos.

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