Você ainda mora em mim
Às vezes eu fico pensando
em como seria se você ainda estivesse vivo. Talvez terminássemos em uma semana,
talvez alugássemos uma casa, já que você gostava de cachorro e me disse uma vez
que não daria para morarmos no meu apartamento por isso.
Qual música você teria me
enviado esta semana? Esse costume de me enviar músicas que faziam você lembrar
de mim me fazia sentir importante. A última que você me enviou — “Intimidade”,
da Liniker — eu ouvi trilhões de vezes para tentar decifrar algo que talvez
tenha ficado nas entrelinhas e que não deu tempo de ser dito.
Era Dia das Mães, e eu
fiquei na dúvida se te chamaria para passar o dia comigo e com a minha mãe, já
que a sua partiu cedo. A gente estava ficando há muito tempo, e eu fiquei com
medo de te assustar, de você achar que era demais. Por isso, eu não te chamei.
No dia seguinte, eu
acordei, vi a notícia do acidente no Facebook e a sua prima escrevendo que
sentiria a sua falta. Meu cérebro se esvaziou naquele segundo. Liguei para
você, mas você não me atendeu mais. Você não estava mais aqui.
Eu só quero te dizer que a
gente não teve um Dia das Mães juntos, nem uma casa com cachorro, e eu não vou
mais ver o seu sorriso de canto de boca que você fazia quando ficava com
vergonha. Mas você sempre estará dentro de mim. Sabe por quê? Porque, quando um
poeta se apaixona por alguém, essa pessoa nunca morre. E você nunca morrerá
dentro de mim.
Fica bem aí, que eu continuo aqui por nós.
Beijos!
Alê.

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